Contos de Natal – I

Olá novamente pessoal!

Bom, acho que vocês lembram quando eu falei no post anterior que estava com uma vontadezinha de escrever alguns contos de Natal… Pois então, pensei um pouco e decidi começar hoje mesmo! Eu sei que ainda está um pouco cedo, faltam dezessete dias para o Natal, mas há uma razão muito boa para eu começar a escrever agora: na semana que vem, estarei viajando (praia, uhul!), e só voltarei no dia 19… Portanto, se eu quiser escrever algum texto natalino, acho bom que eu comece antes disso! E outra também: como eu sei que vocês vão sentir muuuuuita falta dos meus textos aqui no blog, eu tenho que, pelo menos, deixar alguma coisa para vocês lerem, não é mesmo?

Então vamos lá! O primeiro conto que vou escrever vai se chamar Memórias de Uma Noite de Natal. Espero que gostem!

Memórias de Uma Noite de Natal

As rajadas de vento atingiam com tudo a janela de minha casa, fazendo ressonar uma forte batida por todo o ambiente. Estava muito frio lá fora; típico de um noite de Natal. Era dia 24 de dezembro, e eu estava ali, sozinho em minha casa, esquecido. No auge de meus sessenta anos, jamais imaginaria que teria me tornado o que sou hoje: um escritor, famoso e conceituado, reconhecido por todos. Não havia um lugar sequer pelo qual eu passasse que eu não fosse notado por alguém, e isso me tornou uma figura muito popular na pequena cidadezinha onde moro. Mas essa popularidade toda, que deveria me trazer alegria e amigos, só me deixava ainda mais isolado; e a melhor prova disso é que estava, na véspera de Natal, esquecido em casa.

Esquentei a velha xícara de café no fogão e, calmamente, dirigi-me para meu escritório, entregue à completa solidão. Liguei a TV; apenas propagandas e notícias chulas estavam passando. Desliguei. Sentei-me na minha cadeira, onde, por muitas vezes, tinha dado início a magnifícas obras, peguei um lápis apontado e comecei a escrever.

Tirotina do Norte, 24 de dezembro de 2010.

24 de Dezembro: Véspera de Natal. Lembro-me bem, que, há mais de cinquenta anos atrás, quando criança, esperava o ano interinho passar para poder finalmente dizer essa simples frase. Dizer “Véspera de Natal” era muito mais, para mim, do que simplesmente me referir ao dia 24. Era recordar os momentos que todos os anos tínhamos, sentados em volta da majestosa árvore de natal de casa, toda enfeitada com bolas coloridas, pingentes e guirlandas. Parecia ser infinito o brilho que saía daquela maravilhosa árvore.

Lembro-me melhor ainda dos deliciosos quitutes e outras iguarias que saboreávamos na ceia de Natal. Eram pratos das mais diversas cores e formas, dos mais diversos gostos e sabores. Lembro-me também das minhas fantasias. Ah, doces fantasias de infância! Sonhar com o Papai Noel, suas renas e trenó encantado, faziam despertar ainda mais meu gosto por aventuras. Era ainda melhor quando papai se enfiava naquela velha roupa de velhinho barrigudo, só para me dar um presente e alimentar meu sonho de criança.

Muito tempo já se passou depois disso, e muita coisa mudou. Há muitos anos, não vejo aquela velha árvore de Natal, montada no centro da sala de estar; há muito tempo não saboreio aqueles quitutes natalinos; há muito tempo não sonho com o Papai Noel. Há muito tempo, tenho esquecido o Natal.

Talvez seja hora de deixar de lado essas memórias de infância, utopias patéticas de um mundo melhor. Talvez seja hora de me despedir desse mundo. Talvez seja hora de tomar coragem, pegar o antigo revólver na gaveta do armário e me…

A campainha tocou justamente no momento em que estava para concluir a ideia. Não estava aguardando ninguém, nem ninguém estava me aguardando. Despreocupadamente, caminhei até a porta e a abri, pronto a espantar qualquer um que quisesse me vender doces caseiros. Derrubei a chave no chão quando reconheci: não era um vendedor que estava ali, eram meus filhos.

Eles me abraçaram e me beijaram, pedindo desculpas pelos anos que me abandonaram aqui. Sentamos no sofá, com os olhos vermelhos de tanto chorar, tomamos uma longa e demorada xícara de café. Depois, corremos para o maleiro do guarda-roupa e resgatamos a velha árvore natalina. Enchemos de enfeites como nunca! Ficou maravilhosa! E continuamos assim, unidos, pelo resto da noite.

Publicado em 08/12/2010, em Contos de Natal, Extras e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.