Capítulo III – Um Reino em Guerra

E aí galera!

Aqui vai o próximo capítulo do livro… Espero que estejam gostando! Lembrando que, quem quiser ver do que se trata (sinopse, book trailer), ou quer encontrar os capítulos em ordem, desde o primeiro, basta acessar, no menu superior da página, o tópico “A Lenda de Avalon – A Espada do Rei”. Boa Leitura!

 

CAPÍTULO III – UM REINO EM GUERRA

 

Já se passaram dois séculos desde o afastamento de Arthur do trono real – Lagorn, com um tom de aventura, continuou a contar a história. – Durante este tempo, três décadas depois da ascensão do grande Cavaleiro Safir ao trono, quando o guerreiro ficou misteriosamente adoecido, um jovem estrangeiro iludiu a todos nós com suas propostas para governar, tornando-se o novo rei de Avalon.

Reunidos em torno de Lagorn estavam Hefnna e Aaron, seus filhos. Hefnna, o mais novo, de apenas cinco anos, era fascinado por histórias de aventura. Aaron, o mais velho, tinha ombros largos e fortes, cabelo loiro e rebelde. Seus olhos eram de um castanho-escuro magnífico; seus músculos, resultado de seu incessante trabalho braçal, eram muito bem definidos. Ao contrário do irmão, não possuía fascínio por aventuras.

– Seu reinado não foi nada parecido com o que prometera; foi injusto conosco, tomou decisões precipitadas, levando Avalon a uma grande decadência – Com certa indignação na voz, Lagorn continuou a narrar o acontecido. – Quando chegou sua hora de largar o trono, decidiu que o próximo rei seria seu descendente, criando uma Era de infelicidade em Camelot.

– Nossa papai – disse Hefnna. – E o que aconteceu depois?

– É aí que entra o nosso rei, filho – Lagorn respondeu e continuou a história. – Depois de algumas gerações da família do governante estrangeiro, subiu ao trono o jovem Ostheros, que governa Avalon até agora. Como vocês mesmos sabem, seu reinado mostrou-se o mais cruel e injusto de todos: quando há alguma disputa que necessita de sua intervenção, opta pela decisão que causa mais sofrimento ao povoado. É sempre ríspido e severo com quem quer que vá ao castelo. Não confia em ninguém, a não ser em si próprio.

– Papai, pare, por favor! Hoje é meu aniversário, e não quero que nada estrague isso – disse Aaron. – Para quê arrisca ser ouvido por algum vassalo do rei, só para contar essas histórias antigas? Deixe de bobagens!

– Ah, meu filho, você ainda precisa aprender muito… – falou Lagorn, dirigindo-se para pegar uma estranha caixa que estava sobre a mesa. – Tome; espero que goste do presente.

Aaron abriu a tampa da caixa, e se deparou com uma poderosa espada. A arma era não muito bonita, comparada com as que ele vira entre os nobres, mas parecia executar bem a sua função de defesa e ataque. O jovem resolveu apreciá-la entre as mãos; foi só então que percebeu uma magnífica bainha que estava no fundo. Diferente da arma, a bainha era toda trabalhada em ouro puro; não parecia ter sido confeccionada propositalmente para a espada.

– É uma herança da minha família; meu avô me deu antes de morrer. Espero que seja útil algum dia. – exclamou Lagorn.

– Obrigado, meu pai. Aliás, devo dizer que será muito útil em breve; tomei uma decisão: vou sair por uns tempos. Já tenho tudo pronto, e eu preciso aprender a me virar sozinho – anunciou Aaron, sem rodeios.

Surpresos, Lagorn e Hefnna nada puderam fazer perante a vontade do jovem; ele estava realmente decidido. Ao entardecer do dia seguinte, Aaron pegou sua mochila e partiu, caminhando em direção à floresta Alvendra.

***

O sol já estava quase desaparecendo quando Aaron chegou até Alvendra. Com a escuridão, a floresta aparentava ser muito assustadora. Resolveu entrar na mata para procurar lenha e fazer fogo. Fazia muito frio aquela noite. Além disso, precisava montar um pequeno acampamento antes que ficasse escuro demais. Lobos e Kappas – espíritos que podiam invocar magia – habitavam a floresta; ele não podia arriscar ser encontrado por um deles.

O jovem se deparou com inúmeros galhos secos das árvores espalhados pelo chão, que poderiam ser usados para uma fogueira; encontrou um simples e aconchegante esconderijo, cercado por dois grandes morros e muitas árvores. Com os morros atrás de si, não seria atacado por trás, e as árvores lhe davam uma boa visão do que acontecia em volta. Apanhou sua pequena mochila de couro – a única coisa, com exceção da espada, que pegou antes de sair de casa – e retirou duas pedras-carvão. Esfregou as duas até que surgisse alguma faísca para acender a fogueira e, quando esta já estava acesa, procurou folhas grandes e plantas que pudessem deixar sua cama improvisada mais confortável. Quando conseguiu terminar seu acampamento, já passava da meia noite.

Exausto do trabalho, resolveu dormir, para poupar energias para o dia seguinte, quando decidiria para onde iria. Alimentou a fogueira com mais lenha, para que durasse a noite toda, e deitou-se.

Foi acordado durante a madrugada, quando ouviu um forte estalo de galhos quebrando perto de si. Apanhou um dos galhos incendiados da fogueira, para tentar iluminar ao seu redor. Dezenas de lobos famintos encontravam-se a sua volta.

Rapidamente, levantou-se, pegou sua espada, e apanhou uma pequena tocha. Resolveu tentar espantá-los, atiçando o fogo contra eles. Não adiantou. – Não posso pensar em usar essa espada! Nem ao menos sei lutar! – pensou ele, arrependido por não ter pedido ao pai algumas instruções de batalha.

O lobo maior, que parecia ser o líder da alcateia, soltou um uivo longo e incessante. Como atendendo a um chamado, os outros lobos uivaram juntos, num uníssono sem fim. Nesse momento, Aaron resolveu correr, para tentar se livrar dos animais, mas os lobos, por sua vez, passaram a persegui-lo floresta adentro.

Caçado por lobos durante toda a madrugada, Aaron estava desesperado. Continuou correndo por entre as árvores, enquanto os lobos ganhavam distância. De repente, o jovem conseguiu perceber um paredão de rochas a sua frente; tentou voltar, mas já era tarde: estava encurralado.

Sua única alternativa era tentar escalar a encosta. Subiu o mais rápido que pode; no entanto, os lobos possuíam mais facilidade na escalada. Os animais estavam a menos de cinco metros dele, e ele, cansado e apavorado, reuniu suas últimas forças e terminou de escalar o paredão de rochas.

No topo do monte, percebeu que os lobos também conseguiram subir, e que o bando olhava-o, faminto. E agora? Não tenho para onde fugir! – pensou ele. – Mas não vou deixar que me peguem! – Aaron largou a tocha e saiu correndo novamente. Foi inútil: os lobos o cercaram. Não havia mais saída.

De repente, ele avistou uma grande e escura caverna; a escuridão impedia que ele conseguisse mais detalhes do lugar, mas, devido às circunstâncias, o jovem resolveu correr até lá e tentar se livrar dos lobos.

O interior da caverna era assustador; fato que Aaron nem mesmo percebeu, devido a sua pressa em se esconder. Rapidamente, agachou-se atrás de uma rocha e se calou; foi quando os lobos chegaram. Os animais começaram a, cautelosamente, vasculhar o local; não demoraria muito até que o encontrassem. Foi então que aconteceu: de repente, uma luz azulada emanou da bainha da espada e cruzou a caverna até uma parede de rochas; tão intensa era, que Aaron não conseguia olhá-la diretamente por mais do que alguns instantes. Inesperadamente, uma explosão de cores fez com que Aaron caísse no chão, arranhando-se todo. Com medo do que fosse aquela forte luz, os lobos saíram correndo, na direção oposta a Aaron.

Alguns instantes depois, a intensa luz parou, e Aaron pôde perceber que o paredão de rochas havia se partido, dando espaço a um homem, já de idade avançada, que, com uma voz rouca e misteriosa disse:

– Aaron, filho de Lagorn, você é o escolhido para salvar o reino de Avalon de todo o mal que o habita. Desde os tempos do rei Arthur e seus cavaleiros, Avalon espera por esse dia; o reino está dominado por injustiça e crueldade, e segundo a profecia e a magia antiga que rege esta terra, você deve libertar o grande rei Arthur para que Avalon prospere novamente.

– Quem é você?– disse Aaron. Sua voz ecoou por toda a caverna. – Não terei pena de atacá-lo com minha espada se não se identificar.

– É um jovem corajoso, pequeno Aaron. Mas não devia insultar quem não conhece. Sou Merlin, mentor e mago fiel de Arthur, membro honorário dos Cavaleiros da Távola Redonda! – disse o velho.

– Como? Já faz mais de dois séculos que os cavaleiros viveram… Como você pode ter vivido lá e ainda estar vivo? – disse Aaron, assustado e intrigado com o velho.

– Sou um feiticeiro, e, como um, desenvolvi encantamentos para ultrapassar as barreiras humanas. Há duzentos anos, fui encarregado de uma missão: conduzir o escolhido em seu destino. Portanto, devo lhe informar, jovem guerreiro, que você é o escolhido para libertar Arthur de seu feitiço.

– Você está louco? Nunca que eu conseguiria. – Aaron, indignado, respondia ferozmente. – Você escolheu o jovem errado, meu caro. Não sou do tipo que parte em uma missão só por causa das palavras de um velho esquisito.

– Meu jovem, você se arrependerá logo de suas palavras. Não fui eu quem o escolheu; foi o destino! Sua mãe morreu, não foi? – Merlin falava com uma voz enigmática.

Repentinamente, a face de Aaron mudou; em vez de surpresa, agora havia pura revolta.

– Sim. Aqueles miseráveis… – lágrimas escorriam dos olhos de Aaron, lembrando-se do acontecido.

– Eu tinha apenas doze anos na época… Ah, se eu fosse mais velho, teria acabado com todos aqueles soldados. Ela não havia feito nada! Nós não tínhamos dinheiro para pagar o imposto, o que poderíamos fazer, a não ser recusar a pagá-lo? Mas aquele soldado medíocre a atacou… Por quê?!

– Eu sei bem como é perder entes queridos e ter que continuar vivendo. Acredite, já passei por isso muitas vezes. – Um suspiro escapou dos lábios ressecados de Merlin.

– E meu pai… Sofreu durante alguns meses, mas não demorou muito e já arrumou outra mulher… Parece que ele nem se importa com o que aconteceu… Aliás, ninguém sequer lembra-se de como ela era, ninguém nem sequer fala nela! Malditos soldados! – Aaron soluçava e chorava, sem conter a angústia.

– Ajude-me, jovem Aaron, e eu também lhe ajudarei. Posso pressentir que há muito mais dentro de você do que você pensa, e eu lhe auxiliarei a descobrir o que é – Merlin disse, em um tom de consolo.

– Tudo bem – Aaron levantou-se e respondeu – Eu vou. Mas não se esqueça de sua promessa, velho feiticeiro. Pois eu farei você cumpri-la.

– Não me esquecerei – O mago concordou. Um sorriso emanou de sua face. – Antes de seu desaparecimento, Arthur escondeu quatro pergaminhos ao redor de toda Avalon. Juntos, estes objetos podem libertá-lo e trazê-lo de volta a vida. Para ajudá-lo, jovem guerreiro, quatro dos melhores Cavaleiros da Távola Redonda o acompanharão.

– Mas como? Não estão todos mortos? – Aaron parecia surpreso com a notícia.

– Para a magia, nada é impossível – Merlin respondeu, dando uma gargalhada. – Veja.

No mesmo instante, a mesma luz que outrora emanava da bainha reapareceu, vinda do cetro que Merlin portava. Quatro figuras feitas de água surgiram, assumindo o formato de quatro homens. A luz foi enfraquecendo, e os homens adquiriram uma aparência humana.

– Mestre mago – disseram os quatro cavaleiros, em uníssono. – Estamos aqui para ajudá-lo.

– Estes serão seus companheiros, jovem Aaron – disse Merlin. – Apresento-lhe Gareth, Safir, Ivain e Leonel.

– Os lendários Cavaleiros da Távola Redonda! – Aaron não conseguira deixar de exclamar sua surpresa. Os heróis das histórias de seu pai estavam na sua frente.

– Quando conseguirem os pergaminhos, vocês devem seguir em direção ao Templo de Ignión, a leste do rio Viohr. É no templo que Arthur deve ser libertado.

– Certo. Obrigado pelos conselhos, poderoso mago – Os cavaleiros, novamente, responderam juntos.

– Aaron – Merlin disse, com seriedade. – Devo informar-te de uma coisa: você recebeu um presente muito mais especial do que imagina; a bainha que protege sua espada possui uma relação com o passado muito grande. Não a perca.

– Não a perderei, acredite – Aaron respondeu, mostrando determinação em sua voz.

Como num piscar de olhos, Merlin desapareceu, deixando apenas uma nuvem de fumaça para trás.

Publicado em 07/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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