Capítulo V – Ataque em Mazera
E aí galera!
Aí vai o próximo capítulo… Boa Leitura!
CAPÍTULO V – ATAQUE EM MAZERA
Logo após a saída de Merlin, no meio da madrugada, Aaron e os outros começaram a traçar estratégias do primeiro lugar a ser visitado. Contudo, um problema surgiu: Avalon era muito grande, e não havia tempo para que o grupo visitasse todos os vilarejos.
– Como saberemos que vilarejos visitar sem cometer erros? – Safir indagou, sem obter a resposta. Ficaram por muito tempo ali, sem conseguir solução alguma.
De repente, Gareth falou:
– Tenho uma ideia. No nosso tempo, o tempo dos Cavaleiros da Távola Redonda, Arthur costumava visitar uma velha feiticeira sempre que podia. Era Morgana. Pode ser que ele tenha deixado alguma pista com aquela velha bruxa.
– Sim, sim. Nesse caso, esse será nosso destino – disse Safir, concordando. – Aaron, alguma objeção?
– Confio em vocês para me guiarem. Nunca viajei por Avalon, por isso não conheço muito o reino, a não ser o que ouvi nas histórias de meu pai – disse ele. – Safir, será que, antes de continuarmos, eu poderia cochilar por alguns minutos? Não dormi nada essa noite, já que fui atacado em plena madrugada.
– Se assim deseja, jovem Aaron, vá. Procure não demorar muito; não podemos nos dar ao luxo de descansar por mais do que alguns minutos. – O cavaleiro respondeu, enquanto procurava um lugar para afiar sua espada.
Aaron encontrou uma pequena clareira, ao lado de onde estavam os cavaleiros. Arrumou seu modesto local de dormir e rapidamente caiu no sono.
***
Meia hora se passou, até que Ivain caminhou até a clareira e acordou Aaron.
– Venha, já é hora de irmos. Safir está impaciente para seguirmos caminho rumo à ilha Kwön, onde Morgana vive.
– Já estou indo – disse Aaron, ficando em pé depressa. – Só vou apanhar meus pertences e já estou voltando para o nosso “acampamento”.
Depois de pegar a bolsa de couro, Aaron e Ivain voltaram para o acampamento. Gareth, Leonel e Safir estavam analisando um mapa, procurando a melhor rota a seguir.
– Pelo que vejo, seguiremos para o norte, passando no vilarejo de Niarel para conseguirmos suprimentos e depois seguimos direto para a Ilha Kwön – disse Gareth, pensativo.
– Niarel? É o vilarejo vizinho ao meu! – Aaron exclamou, juntando-se ao grupo. – Será bom passarmos por lá antes de começarmos a missão. Não esperava ficar tanto tempo fora, preciso falar com meu pai antes disso.
– Passaremos por lá, mas não podemos demorar muito; nossa missão será longa – disse Safir, com seriedade. Sob o comando de Safir, os guerreiros começaram imediatamente a caminhada até Niarel.
A viagem não era muito extensa: apenas um dia de caminhada. Entretanto, impaciente e ansioso, para Aaron o trajeto parecia demorar séculos. O dia passou sem muitas novidades: os guerreiros continuaram caminhando e relembrando algumas músicas de tempos atrás, e Aaron, sem saber a letra delas, tentava acompanhar o ritmo de seus parceiros. A espada parecia muito mais pesada do que antes, já estava ficando difícil segurá-la. Essa espada só me traz problemas – pensou Aaron, enquanto andava. – O que adianta andar com uma arma com a qual não se pode se defender?
Aaron seguia o caminho planejando seu futuro, quando, subitamente, os cavaleiros pararam de cantar. O jovem estranhou, olhou para ver o que o que havia acontecido. Não foi preciso: ao olhar para seu lado esquerdo, Aaron avistou muita fumaça e fogo emanando de um vilarejo. Ao analisar a cena, derrubou sua espada no chão, produzindo um forte estalo que chamou a atenção de Leonel.
– O que foi, jovem Aaron? Por que essa surpresa? – disse Leonel, estranhando o comportamento do rapaz. – É apenas um incêndio; aconteciam frequentemente no meu tempo; logo o apagam.
– Não é isso – disse Aaron, pegando novamente a espada. – É que aquele fogo… vem da direção de Mazera! – exclamou, entregando-se finalmente ao choro.
***
Poucos minutos haviam se passado desde que Aaron descobrira que seu vilarejo tinha sido incendiado. O jovem, assustado, saiu correndo pela estrada, enquanto Leonel o seguia. O cavaleiro, após tentar acalmá-lo, foi imediatamente contar aos outros a descoberta.
– Safir, temos um grande problema em mãos; a fumaça que vimos no céu vem do vilarejo de Aaron, Mazera – disse ele, com firmeza. – Precisamos ajudá-lo: todos nós sabemos como é passar por tal aflição, e não podemos deixar que Aaron sofra com isso logo agora.
Safir, pego de surpresa com a revelação, meditou um pouco: Não podemos nos atrasar… Mas deixar Aaron arrasado será bem pior… É, precisamos ajudar.
– Amigos, não temos outra opção. Precisamos ajudar! – bradou Safir, como quem se prepara para um combate. Rapidamente, os guerreiros contaram para Aaron da decisão e, correndo, foram rumo à Mazera.
Não demorou muito para que chegassem. Nas proximidades, perceberam um estranho silêncio. Com isso, Safir murmurou:
– Vamos entrar pelas passagens laterais; se houver algum inimigo na aldeia, não será surpreendido se entrarmos pelo acesso principal.
Silenciosamente, os guerreiros contornaram o povoado e entraram no vilarejo. Parecia uma cidade fantasma. Não havia ninguém nas ruas, e os gritos, que outrora os guerreiros ouviram, pareciam ter sido arrastados junto com a leve brisa que passava por ali.
– Não vejo nada de anormal por aqui – disse Gareth, preocupado.
– Isso me cheira a magia… – Leonel, com as veias saltadas e espada em punho, estava vigilante.
De repente, um choque metálico chamou a atenção de todos. Ivain, que ficara por último, agora guerreava ferozmente com um homem alto e musculoso, que vestia roupas do império.
– Guardas do Império! Ostheros quer destruir o vilarejo de Aaron! – Safir, ao ver os trajes do homem, imediatamente desvendou o mistério. Mas já era tarde: dezenas de guardas corriam até eles. Foram emboscados.
– Ivain, proteja Aaron! Eu, Safir e Leonel nos encarregamos deles! Procurem um esconderijo e protejam-se! – Gareth, rapidamente sacou sua espada e, com um golpe rápido e sagaz, atravessou o corpo de um soldado que vinha chegando.
Enquanto isso, outro soldado chegou e tentou ferir Gareth pelas costas, mas Safir o protegeu, cravando sua espada no corpo do rapaz. Rapidamente, Ivain juntou-se a Aaron e, juntos, escaparam por uma viela estreita. Encontraram uma casa que havia sido derrubada e, junto a ela, um estreito esconderijo, grande o suficiente para suportar os dois. Entraram no esconderijo e ficaram esperando.
Safir, Gareth e Leonel brandiam suas espadas vorazmente. Ardia em seus olhos uma chama que não se via em qualquer um. Finalmente, depois de muitos anos, os Cavaleiros da Távola Redonda provam novamente seu valor! – pensou Safir, enquanto derrubava mais um soldado com um chute entre as pernas.
– Quinze! Estou ganhando! – Leonel gritou para Gareth. – Quero ver me ultrapassar nessa!
– Não vai ser tão difícil! – respondeu Gareth que, após derrubar outro soldado, arrancou a espada dele e atirou-a em outro que vinha em sua direção. – Pronto! Dezessete!
– Agora já estou no vinte e três, meu caro. Você demora muito! – disse Leonel, com a espada toda suja, arremessando mais um soldado para uma pilha de corpos a seu lado.
Por mais que tentassem, os soldados não eram páreos para Safir e os outros. Não demorou muito para que os poucos que restavam resolvessem largar as armas e fugir.
– Alguém se feriu? – Safir perguntou, preocupado. O experiente cavaleiro sabia que, mesmo envoltos pela magia de Merlin, eles poderiam se machucar como qualquer humano comum e acabar voltando para o outro mundo.
– Não. Estamos todos bem. Onde está Ivain e Aaron? – Leonel perguntou, limpando sua espada nas vestes de um soldado morto.
– Venha. Os soldados fugiram – Ivain levantou-se e deixou o esconderijo. Aaron o seguiu, um pouco atordoado com a batalha. Porém, uma visão ao longe fez com que acordasse rapidamente: Hefnna, seu irmão mais novo, estava sendo carregado por um soldado que se dirigia ao resto do batalhão.
– Não! Hefnna não! Ivain, meu irmão foi sequestrado, olhe! – Aaron apontou para o soldado.
Ivain refletiu por alguns momentos, até que falou:
– Sinto muito, jovem Aaron. É muito perigoso; colocaríamos a vida de Hefnna em risco. Além disso, será impossível alcançá-los antes que cheguem ao castelo, e nós não conseguiremos invadir o castelo sozinhos.
– Eu preciso ir, não posso deixar meu irmão lá! Não sou covarde! – Aaron lutava para se desprender de Ivain, que o segurava para que não corresse até o soldado.
– O que aconteceu? Alguém está ferido? – Safir, junto a Gareth e Leonel, juntou-se aos dois.
– Me-meu irmão fo-foi… se-sequestrado! – Lágrimas jorravam dos olhos de Aaron enquanto ele falava – Ajudem-no!
Com uma troca de olhares, Safir entendeu o que Ivain queria dizer. Dirigindo-se para Aaron, falou:
– Aaron, não abandonaremos seu irmão, mas não é prudente enfrentarmos sozinhos o rei e seus soldados. Encontraremos outro jeito de resgatá-lo; o rei é esperto o suficiente para saber que, enquanto seu irmão estiver vivo, nós ficaremos tentados a resgatá-lo.
– E meu pai? Onde ele está?! – Aaron estava fora de si. Ao longe, ele avistou um velho senhor sentado sobre os destroços do que um dia havia sido uma casa, chorando, inconsolado. – É ele! Tem que ser ele! – Aaron soltou-se dos braços de Ivain e correu até o homem. Realmente, era Lagorn.
– Levaram-no! Levaram seu irmão, Aaron! – Lagorn, exaltado, exclamou.
– Não sei qual deles devemos acalmar primeiro – murmurou Leonel, ao ouvido de Gareth.
– Acalmem-se! – bradou Safir. – Sei que é difícil raciocinar depois de um episódio como esse, mas precisamos pensar! Aaron, você já deve imaginar qual é o único jeito de salvar seu irmão.
– Sim, acredito que sei – Com um breve suspiro, Aaron cessou as lágrimas.
– Creio que, se o rei sabia que Hefnna era seu irmão, ele já sabe de nossos planos, e planeja frustrá-los o mais rápido possível. Para derrotá-lo, devemos libertar Arthur e vencer a guerra, que, com certeza, será inevitável no ponto em que já estamos. Se tudo ocorrer como planejamos, logo você verá seu irmão novamente – Safir limpou sua espada e guardou-a na bainha.
– Certo. Estou pronto. Para onde nossa missão nos levar, eu não desistirei até que meu irmão esteja a salvo – Aaron levantou-se e, dirigiu-se a seu pai. – Pai, eu sei que parece estranho, mas estou envolvido em uma missão. Não temos tempo para explicações; temos que partir imediatamente. Apenas saiba que todas as suas histórias são muito mais importantes do que eu imaginava.
– Espero que consiga tudo o que deseja, meu filho. Procure seu irmão e vença! Sempre soube que você deixaria sua marca na história. Até breve! – Lagorn levantou-se e abraçou demoradamente o filho.
– Todos prontos? – Ivain perguntou, dirigindo-se para a saída da cidade.
– Acredito que sim – Gareth, carregando os suprimentos que precisariam em uma grande sacola, seguiu Ivain.
– Voltaremos um dia – Aaron prometeu a Lagorn e, junto à Safir e Leonel, seguiram juntos rumo à ilha Kwön.
Publicado em 09/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como a lenda de avalon, arthur lucena, livros. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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