Capítulo VI – Goblins

Espero que estejam gostando! Aí vai o próximo!


CAPÍTULO VI – GOBLINS

Alguns dias haviam se passado desde o episódio em Mazera; o grupo continuou caminhando e Aaron, como já era esperado, ficou muito abatido. Não conversava mais como antes, não fazia perguntas, não discutia com ninguém. Tamanha foi a mudança, que Leonel resolveu conversar com o jovem em particular, para ver se conseguia animá-lo:

– Ei, anime-se! Quando você menos esperar, seu irmão estará de volta ao seu lado e tudo isso vai acabar, você vai ver.

– Mesmo que tudo acabe, nunca mais serei como antes. Se alguém jogar um pedregulho em um rio, este se agitará como nunca. Algum tempo depois, ele voltará a ficar calmo e há quem pense que ele está igual à antes; mas a pedra estará lá, e isso o torna diferente – Aaron respondeu, observando e analisando a paisagem enquanto continuava a caminhar.

– Vejo que, apesar de tudo, seu lado filosófico não enfraqueceu, jovem Aaron. Quando quiser conversar novamente, me chame – respondeu Leonel, surpreso com a reflexão de Aaron.

Os dois guerreiros voltaram para o grupo e continuaram a caminhada.

***

O grupo já havia passado por várias paisagens diferentes desde que saíram de Mazera: montanhas, florestas, pântanos… E agora uma grande planície. O Deserto Verde, como era chamada pelos habitantes da região, pelo fato de só possuir plantas rasteiras em toda a sua extensão, era impressionante: quando se estava nele, podia procurar por todos os lados que era impossível ver qualquer tipo de construção. Com água em abundância, os guerreiros precisavam se preocupar apenas com a sua própria segurança.

– Vejo que já está melhor, caro Aaron. Espero que consigamos resgatar seu irmão rapidamente – Safir disse, ao ver Aaron voltando com Leonel.

– É… Já estou melhor. Mas, se não se importam, gostaria de me retirar e ficar sozinho um pouco… Algum problema? – disse Aaron, realmente parecendo estar mais animado.

– Pode ir, jovem guerreiro. Só não vá muito longe; se houver qualquer problema, fuja e nos avise com um grito – Gareth falou, sem diminuir o ritmo da caminhada.

Num instante, Aaron separou-se do grupo e, caminhando, resolveu admirar a paisagem. – Como pude deixar que pegassem Hefnna? Como posso ser eu o escolhido para salvar o reino se não posso nem ao menos salvar meu próprio irmão? – Aaron pensou, exausto da viagem. Subitamente, uma fumaça próxima de onde estava chamou sua atenção. Resolveu, cautelosamente, espiar e tentar descobrir o que era.

Dirigiu-se para um grande arbusto que havia logo a sua frente e olhou para a fumaça. Na direção dela havia um conjunto de cinco ou seis pequenas cabanas, feitas de pedra e com o telhado de feno. Observando mais um pouco, Aaron descobriu alguns homenzinhos verdes caminhando por entre as cabanas. Fascinado, levantou-se e tentou se aproximar deles. De repente, um deles percebeu sua presença, sacou uma corneta do bolso, e soprou-a. Um barulho ensurdecedor foi ouvido e, dentro de alguns instantes, cerca de duas dezenas deles vinham em sua direção, com clavas em punho e uma feição nem um pouco simpática.

– Aaron! Corra! – Foi Ivain que avistou a confusão em que Aaron estava prestes a se enfiar e proferiu o aviso imediatamente. No mesmo instante, todos olharam para onde Aaron estava e correram até ele.

– Não! Tenho que provar a mim mesmo que posso vencê-los! – Aaron ignorou as ordens de Ivain, e, com sua espada em punho, preparou-se para o combate.

– Que diabos você pensa que está fazendo, garoto! Fuja daí! São Goblins! – Leonel exclamou, irritado.

O líder do grupo – o mesmo que soprara a corneta – chegou até Aaron. O jovem, inexperiente, tentou um ataque direto à criatura que, facilmente, desarmou-o, derrubando sua arma no chão.

– Goblin maldito! – Ivain foi o primeiro a chegar até onde Aaron estava. Brandindo sagazmente a espada, o cavaleiro ameaçou o Goblin e os outros que chegavam.

O que se passou depois foi uma verdadeira confusão. Gareth, Leonel e Safir alcançaram Ivain, bem a tempo de ajudá-lo com os outros Goblins que chegavam. As armas se chocavam constantemente, até que os Goblins caíam e se amontoavam. Diferente do que Aaron esperava, as duas dezenas de Goblins estavam causando muito mais trabalho aos Cavaleiros do que a centena de soldados que eles enfrentaram na semana anterior.

Ao perceber a dificuldade da batalha, Aaron distanciou-se e ficou assistindo a tudo no mesmo arbusto em que, minutos atrás, espionava as criaturas. A habilidade dos cavaleiros era impressionante, mesmo para aqueles que eram peritos em batalha; Arthur realmente sabia o que queria quando os escolheu para serem seus guerreiros. Foi quando um dos Goblins, que estava pronto para atacar Safir, mudou de direção, encaminhando-se para Aaron. O jovem, ao vê-lo, tentou fugir, mas foi lento demais: de repente, uma grande dor surgiu em sua testa latejando como nunca; a visão da batalha começou a ficar embaçada, até que uma grande luz surgiu e Aaron não viu mais nada.

 

Publicado em 10/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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