Capítulo VII – Por Favor, Me Ensine a Lutar!
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CAPÍTULO VII – POR FAVOR, ME ENSINE A LUTAR!
Fogo. Foi tudo o que Aaron conseguiu perceber ao acordar do recente desmaio que sofreu. Estava deitado sobre um monte de feno em um acampamento improvisado, possivelmente montado pelos cavaleiros. Uma forte dor na testa fez com que se lembrasse da condição em que estava.
– Você está bem? – Gareth perguntou, enquanto chegava da floresta, com a espada em punho. – Saímos do Deserto Verde há pouco. Safir e os outros foram buscar lenha e comida; pediram-me para que eu ficasse vigiando você. Agora pouco, ouvi um barulho estranho e resolvi verificar.
– Já estou melhor… – Aaron respondeu, levantando-se lentamente do colchão improvisado e encaminhando-se para lavar o rosto em um pequeno riacho que havia ali perto. – O que aconteceu? Só me lembro de um Goblin correndo em minha direção… Daí uma dor muito forte na testa e depois tudo escureceu…
– Você teve muita sorte, garoto – disse Gareth, devolvendo a espada na bainha. – Enquanto estávamos ocupados com o resto do bando, aquele Goblin arremessou uma clava que raspou na sua testa… É uma grande sorte você estar falando comigo agora…
– Mas o que aconteceu com aqueles Goblins? No meu povoado, todos sempre diziam que eles eram as criaturas mais pacíficas da região… Juro que, se eles não tivessem me atacado primeiro, eu nunca teria brandido minha espada contra eles – Aaron perguntou, confuso.
Gareth deu uma grande gargalhada e disse:
– Realmente, no meu tempo os Goblins eram pacíficos… Mas as coisas mudaram um pouco, garoto. Quando assumiu o trono, o pai de Ostheros, o rei Awern, organizou uma expedição com o único objetivo de exterminar essa raça. Muitos foram mortos, e os que sobraram tornaram-se assim…
Um galho sendo quebrado chamou a atenção de Aaron. Ao voltar-se para a direção do barulho, o jovem percebeu que Safir, Leonel e Ivain estavam de volta.
– Ora, ora! Se não é o nosso jovem corajoso que está de pé! Como se sente, Aaron? – Safir perguntou, enquanto colocava a lenha que carregava entre os braços na fogueira.
– Já estou melhor… – A feição de Aaron escureceu – Ei, onde está minha espada?
– Acalme-se… Ela está junto com seus outros pertences… – Ivain respondeu, divertindo-se com o desespero do garoto.
Aaron voltou-se para sua mochila e sacou a espada de dentro dela, apontou-a para Safir e gritou:
– Em guarda! Quero que me ensine a lutar, mestre Safir. Cansei de depender dos outros para minha própria defesa. Por favor, me ensine!
Com um rápido movimento, Safir sacou sua espada e desarmou Aaron. – Pois esta será sua primeira lição: mantenha as duas mãos no cabo da espada. A não ser que esteja portando um escudo, isso o ajudará a não ser desarmado. Segure-a firme como se estivesse segurando uma foice para cortar o trigo.
Enquanto isso, Leonel, Ivain e Gareth sentaram-se em volta dos dois para assistir o treino. Aaron parecia bastante dedicado, e possuía uma determinação inabalável.
– Agora, flexione levemente os joelhos e mantenha sua visão atenta para todos os lados; é importante saber de tudo o que acontece a sua volta. Tente esse movimento – disse Safir, girando seu corpo e, em seguida, fincando a espada no ar.
Aaron repetiu o movimento conforme havia assistido. – Assim está bom? – perguntou ansioso.
– Continue assim e rapidamente será tão bom quanto nós. Apenas lembre-se de um sábio conselho: nunca abandone sua espada. Sendo ela valiosa ou não, você não conseguirá nada em uma batalha se não estiver portando uma arma.
O anoitecer chegou, e Safir e Aaron continuaram treinando. Ivain e os outros se divertiam à custa deles, com os erros e tropeços do garoto. Certo momento, Aaron desferiu um veloz golpe contra Safir, que nem mesmo o experiente cavaleiro conseguiu se defender, caindo com a face no chão. Quando o céu escureceu, Safir concordou em parar:
– Chega por hoje, Aaron. Temos muitas noites para treinar. E se isso te alegra, você é um dos melhores guerreiros que eu já treinei até hoje – O cavaleiro despediu-se, dirigindo-se para seu leito, assim como os outros cavaleiros.
Com o machucado na testa e vários hematomas ao longo do corpo, a noite foi penosa para Aaron. – Pelo menos agora eu já posso me defender! – pensou ele, antes de cair em sono profundo.
Publicado em 11/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como a lenda de avalon. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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