Capítulo XII – Saohr

 

CAPÍTULO XII – SAOHR

Aaron levantou-se e pegou novamente sua espada, caída no chão, desde o último golpe desferido por Safir. – Vamos, jovem guerreiro! Tente novamente! – dizia Safir, enquanto os outros cavaleiros assistiam silenciosamente. Já amanhecera o dia, o que significava que o grupo tinha passado a noite toda treinando esgrima. – A esgrima não é movida pela raiva, e sim pela concentração; quando você reivindicar os seus pensamentos e desejos, talvez você consiga algum resultado.

– Quero ver se você defende essa!  – disse Aaron, enquanto corria para Safir com sua espada em punho. Ameaçou atirá-la para o peito do guerreiro, mas deu meia volta e tentou acertar o quadril. Facilmente, Safir desviou-se do movimento, desarmando Aaron e empurrando-o para o chão novamente.

– Chega por hoje, Aaron. Descansaremos um pouco para seguirmos rumo a Saohr – dito isso, Safir embainhou sua espada e começou a arrumar-se para descansar.

Saohr era a cidade mais próxima do grupo e constava no mapa de Arthur. Rumores diziam que a cidade fora um grande vilarejo dos Goblins, mas há décadas não se avistava um exemplar dessas criaturas na região.

***

O sol já raiava quando os jovens partiram para a cidade. Desde que saíram da ilha Kwön, tudo transcorrera sem muitas novidades.

Aaron, enquanto caminhava, estava pensativo sobre sua nova vida: E se tudo der errado? – pensava ele, aflito. – Isto não é mais uma das histórias de meu pai, que tem um final feliz… E se terminar em tragédia? Se Ostheros ganhar, seu poder se assentará perante o povo; em vez de ajudarmos, só estaremos piorando a situação… – Seu pensamento foi interrompido pela constatação de Ivain:

– Como Mazera, Saohr está ardendo em chamas! – Apontou ele, incrédulo.

– Goblins, novamente! – Exclamou Gareth, mostrando a bandeira esverdeada, que imperava no centro da cidade.

Em instantes, Safir e os outros estavam nas imediações da cidade. Não demorou muito até que notassem a presença deles e partissem para o ataque. No entanto, ao contrário do último encontro entre os dois grupos, agora Aaron podia lutar.

– Venha, Goblin maldito! – Exclamou ele, brandindo sua espada furiosamente. Com um rápido movimento, Aaron desviou-se do ataque que o Goblin lhe inferira e cravou a espada no peito da criatura. Posso não conseguir vencer Safir ainda, mas estes Goblins não lutam como ele. Mas há muitos deles, e não sei se poderemos detê-los – Mais um golpe desferido por Aaron deixou outro Goblin no chão.

Entre um golpe e outro, Aaron notou que sua bainha começou a brilhar intensamente; instantes depois, emitiu uma luz avermelhada que atravessava toda a cidade. – O que será isso? – pensou ele, confuso.

Em instantes, todos os guerreiros notaram a intensa luz da bainha. Instintivamente, olharam para onde ela se dirigia: um grande templo localizado ao norte da cidade. Foi Leonel que descobriu o que significava:

– Cavaleiros, é o sinal de Arthur! Um dos pergaminhos mágicos está naquele templo! – Disse ele, enquanto enterrava a espada em outro Goblin.

– Gareth, Ivain, ajudem Aaron a chegar ao templo! Eu e Leonel continuaremos aqui! – Disse Safir, elaborando um plano.

Entre golpes de espada e flechas que voavam, Aaron e os outros dois guerreiros ganhavam terreno. O templo era esplêndido: modelo clássico, construído na época das Cruzadas, retratava toda a crença religiosa dos Cavaleiros Templários, ordem a qual Arthur pertencera uma vez. – Que melhor lugar para se esconder um pergaminho senão em seu próprio templo? – pensava Aaron, quando chegou à entrada do monumento.

– Gareth! Abaixe-se! – Ivain exclamou, quando desferiu um súbito golpe de espada na direção do cavaleiro amigo. Um instante depois, um Goblin caiu a suas costas, ferido pela espada do guerreiro.

– Obrigado. Mas eu poderia ter recorrido a minha última defesa – disse Gareth, trancando a porta do templo por dentro, evitando que mais Goblins invadissem. Gareth nunca fora muito humilde nas suas aventuras; pelo contrário, era o guerreiro mais orgulhoso entre o grupo.

O trio procurou por toda o monumento, mas não encontraram nada. Exaustos da busca, não sabiam o que fariam. – Estaria a lenda errada? Os pergaminhos realmente existiriam? – Estas eram as perguntas que se passavam pela mente de cada um deles.

Foi Aaron que percebeu a resposta: – O pergaminho não é um papel! É um símbolo! – Disse ele, subitamente.

– Como pode saber disso? – Nunca vi ninguém que levantasse essa hipótese. – Disse Ivain, incrédulo.

– Por causa daquilo! Olhem! – Todos se voltaram na direção em que Aaron apontava. O grande sino do santuário, situado no centro do monumento, possuía uma pequena área que reluzia na mesma luz da bainha. Aproximando-se do objeto, os guerreiros puderam constatar que era o brasão de Camelot.

Uma explosão de cores derrubou Aaron e os outros no chão. A bainha encontrava-se suspensa no ar, brilhando como o arco-íris. Um instante depois, o símbolo do sino ofuscou-se e, magicamente, desgrudou-se do sino e uniu-se a ela.

– É, e pensamos que depois de todos estes anos conhecíamos Arthur… – Disse, Gareth, quase que sem palavras.

– Por isso que ele era o rei e nós não! – Brincou Ivain, levantando-se. – Vamos, precisamos ajudar Safir e Leonel.

Com espada em punho, os guerreiros removeram a tranca do portão do templo, preparando-se para um possível ataque. Quando tentavam abrir a porta, uma súbita explosão próxima da entrada fez com que caíssem no chão: ao contrário da situação em que outrora se encontravam, agora não haviam apenas algumas dezenas de Goblins, agora haviam centenas deles.

– É inútil resistir. Estamos presos – disse Gareth, atirando sua espada ao chão. Aaron estava incrédulo – E agora? O que vai ser de nós? – pensou ele, antes que levasse um golpe na cabeça que o fez perder os sentidos novamente.

 

Publicado em 16/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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