Capítulo XIII – Foragidos

 

CAPÍTULO XIII – FORAGIDOS

Pernas e braços amarrados com cordas grossas e firmes. Era a situação em que Aaron se encontrava quando despertou.

Estava em uma pequena tenda toda remendada com panos e retalhos que cheiravam a mofo. Ao seu lado, estavam Leonel, Ivain, Gareth e Safir, todos também amarrados. – Onde estou? – pensou Aaron, confuso, por não se lembrar de nada dos acontecimentos do dia anterior. O pano que servia de porta da tenda levantou-se, e dele surgiram as figuras de dois Goblins de espada em punho. Antes que pudesse raciocinar e chamar por qualquer um dos cavaleiros, que ainda estavam inconscientes, os guardas desamarraram Aaron e o levaram para fora da tenda.

Pelo que Aaron pôde perceber, a aldeia dos Goblins encontrava-se escondida entre os pântanos: não era muito grande ou confortável para quem vivesse ali, mas evitava possíveis invasores. Um pouco a frente, o jovem percebeu uma aglomeração de exemplares da criatura, que aguardavam por algum tipo de espetáculo. Não demorou muito para que o aventureiro entendesse o que estava acontecendo: a aglomeração era em razão de seu julgamento!

No centro do povoado, encontrava-se um Goblin robusto, adornado com várias joias. Era visível que aquele era o líder do vilarejo. Os guardas o arrastaram até o local e, com a ordem do chefe do grupo, soltaram-no. Neste momento, o Goblin robusto começou a emitir uma série de sons e gesticular para o povo, que emitiam mais sons, aclamando-o.

Apesar de não compreender o idioma dos Goblins, Aaron percebeu que sua situação não ia muito bem. – Provavelmente, ele deve estar contando sobre o nosso encontro em Saohr e perguntando como deveríamos ser punidos – pensou Aaron, enquanto observava o discurso do líder.

O discurso perdurou por vários minutos. Enquanto isso, Aaron pensava: – Me parece que, apesar de estarem em constante conflito com os humanos, não terem idioma em comum e não se parecerem fisicamente, os hábitos dos Goblins são extremamente parecidos com os nossos! – Repentinamente, o soberano Goblin parou o seu discurso – que estava causando movimentação no povoado – e virou-se para Aaron. Sem que o jovem conseguisse prever, o Goblin esbofeteou sua face começou a apontar alternadamente entre ele, a tenda em que estivera e uma enorme fogueira que crepitava ao longe. Diante disso, a exclamação do povo foi estrondosa. Aaron, tomado pelo pânico, tentou correr até a tenda, com a esperança de resgatar qualquer um dos Cavaleiros. No entanto, um dos soldados foi mais rápido e agarrou-o, atirando-o no chão.

Os guardas conduziram-no de volta à tenda, onde os Cavaleiros já estavam acordados. Após ser novamente amarrado, Aaron contou o acontecido. Um rápido e imperceptível olhar foi trocado entre os quatro guerreiros sem que Aaron percebesse. Todos sabiam que, sem suas armas e artefatos, não seria nada fácil escapar dos Goblins. Precisariam contar com a sorte.

A tarde se passou sem mais novidades: os guerreiros recebiam, constantemente, visita dos guardas que traziam água e comida: pelo visto, não queriam que o grupo morresse antes da hora desejada. Amarrados, todos aguardavam em silêncio o anoitecer. Com ele, viria a fogueira, e, com ela, a morte. Aaron não conseguia entender como tudo poderia acabar assim. – Merlin, Arthur, os Cavaleiros… Todos já escaparam de situações piores na vida, como podem deixar tudo acabar assim? Acho que as histórias exageram um pouco no relato dos fatos – pensou ele, tentando virar-se de lado para cochilar.

Uma hora se passara desde que Aaron adormecera, quando os soldados chegaram para levá-los. Era impossível desvendar a expressão de Safir, ou de Leonel, Gareth e Ivain. Todos pareciam compassíveis em voltar para o outro mundo. Aaron era o único que possuía a face toda transtornada, enquanto lembrava-se de sua humilde vida. O presente que recebera do pai, a caverna em que conheceu Merlin, as viagens com os cavaleiros, Morgana… Tudo agora se esvaía de sua mente, enquanto fitava a fogueira.

Atendendo aos pedidos do chefe, os soldados amarraram os quatro em um grande mastro no centro da pira, que crepitava num fogo pouco intenso. Já atado ao mastro, o jovem resolveu fechar os olhos, enquanto o fogo aumentava rapidamente. Gritos de dor podiam ser ouvidos, provavelmente fruto da imaginação de Aaron. Mas não era. Aaron abriu os olhos, para ver o que acontecia, quando percebeu uma grande serpente feita de fogo, que atingia aos Goblins, ateando brasas neles. Abruptamente, um grande pássaro negro surgiu, com a cauda toda em chamas; a criatura voou em direção a Aaron e aos outros e, com um rápido chacoalhar de penas, ateou fogo as cordas que os prendiam.

 

Publicado em 17/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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