Capítulo XV – Straws e Galatha
CAPÍTULO XV – STRAWS E GALATHA
Eu sou Galatha, e essa é Straws – disse uma linda mulher, de aparência jovem, vestida toda de branco, com um chapéu e um cajado entre as mãos. – De certa forma, essa mulher me lembra de Merlin – pensou Aaron enquanto observava o grande pássaro negro, Straws, para quem a mulher apontava.
Desde o episódio na aldeia dos Goblins, tudo acontecera rapidamente: Aaron – desmaiado – e os outros cavaleiros foram libertados da fogueira graças à chama do pássaro, que distraiu os Goblins por tempo suficiente para que Galatha levasse os ex-prisioneiros para um lugar seguro.
– Ora, ora! Se não é a ex-aprendiz de Merlin! – disse Gareth, saindo da porta de uma pequena e humilde barraca armada perto dali. Safir, Leonel e Ivain vinham com ele. – Se não tivesse provado na própria pele o que a magia de Merlin pode fazer, diria que você já deveria ter deixado esse mundo há muito tempo!
– Silêncio, guerreiro atrevido! Nossas brigas e devaneios do passado já não interessam mais! Desde que fui capturada pelos Goblins, muita coisa mudou… – Galatha foi até um pequeno riacho para saciar a sede.
– O quê?! A “poderosa” Galatha foi capturada por seres insignificantes como Goblins! Que decadência, hein? – disse Leonel, irônico.
– Passei longas duas décadas da minha triste vida presa por aqueles infelizes… Sem meu cetro mágico, o que eu poderia fazer? – Galatha voltou do riacho, trazendo um bocado de água entre as mãos para que Straws bebesse. – Foi então que eu conheci a Straws. Ela voou por entre aquelas criaturas repugnantes e me soltou, enfim.
– E então, a vingativa feiticeira Galatha destinou seus últimos anos perseguindo a raça Goblin, estou certo? – disse Safir, rindo, enquanto limpava sua espada, suja desde o último episódio.
– Ah, mas sem dúvida alguma! Ei, o que é isso aqui? – Galatha voltou-se para os pertences de Aaron, amontoados no chão, ao lado dele.
– Não mexa! – disse Aaron, levantando-se rapidamente do chão.
– Oh, o jovem resolveu levantar? Pois agora eu quero ver! – Galatha apontou seu cetro para a mochila de Aaron e, com um movimento brusco, impulsionou o cetro pra o céu, a fim de que o objeto a ser inspecionado se levantasse junto a ele.
– Como? Por que minha magia não funciona com isto? – exclamou Galatha, revoltada. – Quero ver se aguenta um pouco mais de pressão! – Dito isso, apontou o cetro novamente para a mochila e começou a proferir um encantamento.
– Isso vai ser divertido – cochichou Ivain para Safir, enquanto observava a cena.
Inesperadamente, Galatha foi atingida por um forte empurrão que a fez cair de cócoras no chão. A magia voltara-se contra o próprio feiticeiro.
– Eu devia saber! A bainha de Excalibur! – Galatha disse, recompondo-se.
– Sim. E eu sou o encarregado por guardá-la e protegê-la até que chegue a hora de libertar Arthur! – Aaron encaminhou-se para sua espada e a sacou.
– Ah, então a famosa lenda de Arthur é verdadeira! O guerreiro místico está para voltar a Avalon e consertar o reino! – disse Galatha, entusiasmada. – Pois não perderei isto por nada!
– Ei, calma aí, feiticeira! Quem disse que você vai? – esbravejou Gareth. – Creio que ninguém te convidou!
– Sinto muito Gareth, mas é necessário que Galatha se junte a nós. Além de confiável, já que era próxima de Arthur, Galatha pode nos ajudar com seus encantos – disse Safir, sério. Gareth grunhiu e retirou-se do acampamento.
– Ei, o que houve com Gareth? – Aaron perguntou para Leonel, confuso. – Por que ele trata Galatha assim?
– Ah, jovem guerreiro, esta história é tão antiga quanto à própria Avalon. Gareth sempre fora apaixonado por Galatha, e ela por Arthur. Quando o rei e a feiticeira ficaram juntos, antes de Arthur conhecer Guinevere, Gareth não se conteve e pediu para duelar com o próprio rei! – disse Leonel, cochichando.
– Perdeu, é claro – Ivain juntou-se a dupla. – Ele ficou por algum tempo magoado com o rei, mas, depois de alguns anos, eles voltaram a se falar.
– E então, Galatha, aceita se juntar a nós? – perguntou Safir, enquanto a garota se aproximava.
Galatha chamou Straws para perto de si e disse: – Ansiava por uma nova aventura há algumas décadas, e creio que não haverá uma melhor do que essa!
Momentos depois, todos estavam preparados e partindo rumo ao próximo local do mapa de Arthur: um vilarejo localizado no coração da Floresta Castomurro. Gareth, chateado, era o último do grupo, fazendo questão de ficar longe da nova integrante da missão.
Publicado em 19/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como a lenda de avalon, arthur lucena, livros. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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