Capítulo XVII – As Ruínas de Colosta

 

CAPÍTULO XVII – AS RUÍNAS DE COLOSTA

Logo ao amanhecer, Safir já levantara e começara a acordar os outros. – Levantem-se, seus preguiçosos! Temos uma cidade para procurar, e outro pergaminho para encontrar!

– Ah não! Era só o que me faltava! Safir falando em rimas! – disse Leonel, levantando-se preguiçosamente.

– Algo me diz que não conhecemos o nosso Safir tão bem quanto esperávamos! – exclamou Ivain, enquanto procurava seus pertences.

A manhã passou sem novidades: os guerreiros despediram-se das amazonas, recebendo os mantimentos prometidos pela rainha. Partiram rumo ao coração da floresta, pelo caminho que as amazonas lhe indicaram para chegar a próxima cidade: Colosta. Segundo as amazonas, a cidade estava abandonada há décadas, desde a Grande Guerra; por esse motivo, fazia tempo que ninguém se dirigia ao local.

Não demorou muito até que chegassem a Colosta: o caminho que as amazonas lhes indicaram estava correto. Realmente, aparentava que ninguém passava pela aldeia há séculos; só restavam ruínas da cidade. Um silêncio assombroso reinava no local; Aaron sentiu um calafrio percorrer toda a sua espinha quando ouviu um único barulho que ecoou por todo o lugar. – Deve ser apenas algum animal inofensivo – pensou ele. – Afinal, se fosse algo mais perigoso, nós saberíamos, com certeza!

– Como poderemos encontrar algo que já estava bem escondido de intrusos quando a cidade ainda estava inteira? – desabafou Ivain, enquanto sentava em cima do que um dia foi uma grande coluna.

– Além disso, as plantas nativas daqui dominaram tudo! Vejam: quase todos os lugares estão cercados de plantas! – Nem mesmo Safir sabia o que fazer.

Outro ruído assustou o grupo. Logo após esse, outro barulho também ecoou e, de repente, um grito: Galatha. Uma das plantas se mexeu, agarrou a ela e a Straws e puxou-os para as profundezas. Em seguida, outras plantas começaram a se movimentar e a atacar os guerreiros: em instantes, todas as plantas que dominavam o lugar se debatiam contra os aventureiros.

– Aaron! Proteja-se com sua espada! Faça o que for preciso, mas não deixe que te agarrem! – exclamou Gareth, enquanto dividia várias plantas com sua espada.

– Não sou covarde para fugir de plantas! – disse ele, desembainhando a espada.

Repentinamente, dois grandes casulos revestidos pelas próprias plantas surgiram ao longe. Só era possível ver as faces da feiticeira e do pássaro. Estranhamente, ambos possuíam os rostos secos, como se toda energia que os habitava houvesse sido drenada.

– Elfos malditos! Enfeitiçaram as plantas para drenar energia para si próprios! – exclamou Safir, ao ver a cena.

Aaron lutava bravamente contra os oponentes. Várias plantas tentavam atacá-lo no mesmo instante, mas ele brandia sua espada e as estilhaçava com um só golpe. Entretanto, enquanto estava ocupado com duas grandes oponentes, uma terceira surgiu e o enlaçou com seus galhos, tampando todo seu campo de visão. Sendo assim, instantes depois, todo seu corpo estava envolto por folhas, e sua visão foi aos poucos diminuindo, até que estivesse totalmente inconsciente.

***

O vilarejo era enorme e cheio de pessoas. Uma pequena cabana destacava-se nele: era a menor de todas, e também a mais pobre e desprotegida. Um homem alto, musculoso e extraordinariamente forte se dirigiu para dentro da cabana, portando um artefato de cor avermelhada que colocou em um buraco debaixo da terra que ali estava.

Aaron abriu os olhos rapidamente, com um susto, quando acordou de seu sonho. Efeitos de algum veneno das plantas o afligiam . Totalmente imobilizado, Aaron conseguiu distinguir seis grandes sombras também presas ao seu redor: todos haviam sido capturados.

Apesar da incômoda dor que sobrepujava todos os seus sentidos, o guerreiro tentava entender o que os cavaleiros conversavam. Sem sucesso, o aventureiro tentou se concentrar em si próprio, quando um grande estouro de luzes chamou sua atenção. Cada um dos quatro Cavaleiros da Távola Redonda emitia em si próprio uma luz fluorescente, de cores diversas que parecia desintegrar o casulo. Demorou alguns instantes, mas logo os guerreiros estavam livres novamente, protegidos por uma grande bolha feita por essa mesma luz que os protegia das plantas.

– Sem perguntas por enquanto, Aaron. Ainda estamos em perigo – disse Leonel, libertando-o. Enquanto isso, Ivain e Safir libertavam Galatha e Straws.

– Sei onde está o segundo pergaminho, Safir! – exclamou Aaron, enquanto pegava sua espada abandonada no chão. – Venham comigo.

Todos seguiram o jovem, que os levou até uma cabana derrubada pelos fortes galhos das árvores. Abaixando-se, Aaron cavou um pequeno buraco na entrada da casa, onde encontrou o mesmo artefato avermelhado de seu sonho.

– Não sei como sabia disso, meu rapaz! Aliás, ambos temos perguntas a serem respondidas… Mas sugiro primeiro sairmos deste lugar desprezível! – disse Safir, correndo por entre o vilarejo.

Momentos depois, todos estavam parados, exaustos, à beira de um rio que atravessava a floresta.

– Adurn! O rio que abasteceu todo o Império por séculos agora é apenas um insignificante filete de água no meio da floresta ­– Gareth agachou-se para provar da água límpida que ali corria.

– Mas Gareth, pelo que vejo, Adurn ainda é um dos maiores rios do continente! Aliás, é o maior que já vi! – Aaron, confuso, não entendia como Gareth poderia chamar um rio imenso como aquele de “insignificante”.

– Ah, meu jovem companheiro… Este rio já ocupou quase toda a floresta com seu imenso volume! Isso não é nem um décimo do que era no nosso tempo… – Ivain, pensativo, arrancava um pequeno galho que havia ficado preso em sua jaqueta. – Aaron, descanse um pouco. Precisaremos de você bem acordado amanhã.

Aaron procurou uma área que não estivesse encharcada pelo rio e se arrumou para descansar. Repousou rapidamente, com sua espada entre os braços.

 

Publicado em 21/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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