Capítulo XVIII – Visita Inesperada

 

CAPÍTULO XVIII – VISITA INESPERADA

A batalha já persistia por horas, e todos estavam visivelmente abatidos. Um vulto negro destacou-se entre os inimigos. De repente, um grito horrendo foi ouvido.

Aaron acordou com o susto que o pesadelo lhe causara. Há noites que tinha sonhos macabros, mas nenhum deles como esse. – Acho que estou enlouquecendo – pensou ele, levantando-se para se lavar no rio. De repente, um grande vapor de água chamou sua atenção. Instantaneamente, olhou para os lados, procurando algum de seus companheiros que estivesse acordado; a feiticeira não só o estava, como já preparava seu cajado. Repentinamente, uma estranha descarga de energia fez com que ambos os guerreiros desistissem de levantar suas armas; estranhos homens vestidos com roupas de fino linho subiram da imensidão do Adurn.

– Aaron! Elfos! Fique atento! – disse Galatha enquanto eram levados para o centro do Adurn. Ao afundar no rio, o jovem capturou a maior quantidade de ar que conseguiu e prendeu a respiração. O elfo ao seu lado não pôde deixar de rir.

– Desculpe pela inesperada aparição, jovem Aaron. Aliás, é útil avisá-lo que não é necessário prender a respiração – disse a criatura. O elfo possuía a mesma altura do aventureiro, o que os diferenciava era o formato do rosto e da orelha: o rosto da criatura era oval e as orelhas finas e pontudas, enquanto do jovem eram ambos arredondados.

Enquanto desciam, Aaron não pôde deixar de notar alguns estranhos símbolos que repentinamente apareciam na água. – O que são essas coisas, amigo elfo? – O jovem parecia confuso.

– Como posso te dizer o verdadeiro significado desses símbolos se nem mesmo vejo o que você vê? A única coisa que lhe digo é que são expressões do seu ser; mudam de forma de acordo com os seus sentimentos. Um pequeno feitiço do nosso Ignián para evitar problemas com visitantes. – O turbilhão de água que os levava cada vez mais fundo estava diminuindo sua velocidade.

– E o que é um Ignián? – Dessa vez, nem mesmo a feiticeira conteve o riso.

– É aquele que é responsável pelo uso da magia em um reino, Aaron – Galatha mantinha-se alerta; os elfos não costumavam ser gentis com os visitantes.

Finalmente, o turbilhão dissipou-se no lago; eles haviam chego ao centro do Império Élfico.

Não diferente do que o jovem imaginara, o elfo conduziu-os até um grande castelo subaquático. O rei, embora muito parecido fisicamente com os outros elfos que Aaron encontrou no caminho, destacava-se pelo seu comportamento. Enigmático e cauteloso em suas perguntas, ao ser questionado sobre sua posição na Grande Guerra, o rei disse:

– Os elfos muito sofreram no último encontro hostil dos humanos; não mais será assim. Os elfos decidem que vão se manter fora da disputa – a feição do rei escureceu-se por alguns momentos. Um tremor assolou o castelo; todos saíram para ver o que acontecia, com exceção do rei, que nem mesmo se mexeu.

Para a surpresa de todos, cristais brancos de gelo desciam por todo o reino. Raramente nevava na cidade. Surpreso com tudo aquilo, Aaron perguntou a um dos elfos que assistia o fenômeno a seu lado:

– Como pode nevar aqui, se o reino está submerso no Adurn? – O fato era impossível para Aaron.

– Meu caro humano, como pode um ser como você respirar debaixo d’água? – O elfo riu e se distanciou do grupo.

Repentinamente, uma sombra atraiu a atenção de todos para certo ponto do castelo. Próximo a torre norte, alguma criatura havia se abrigado e nem mesmo os elfos imaginavam a identidade do indivíduo.

– Quem está aí? – perguntou um velho elfo, que aparentava ter o dom da magia; provavelmente aquele era o Ignián do reino. Assustado com o fato de seu poderoso mecanismo para interpretar intrusos ter falhado, o elfo não mexia um músculo.

– Não precisa ter medo de mim Ignián! – Uma voz grossa e clara surgiu próxima a torre. – Afinal, vocês me conhecem há muito tempo! – Uma figura idosa e um pouco barriguda surgiu, trajando vestes vermelhas e com um grande gorro na cabeça. O velho deslizou pelo muro do castelo até se deparar com Aaron.

– Meu filho! Que bom vê-lo! – Aaron não conseguia acreditar que estava perante aquele homem. – Encontrei Merlin em uma viagem temporal e ele me falou de você e suas aventuras, caro Aaron. Venha aqui, tenho algo para você.

O rapaz foi ao encontro do homem, que entregou o presente ao guerreiro, tirado de um saco de pano.

Encantado, Aaron admirou a pequenina criatura peluda que pulando em volta de Aaron, mudava de cor a cada instante. – O que é isso? – Aaron nunca havia visto um deste. – Uma espécie de bicho mágico?

– Um Monaring, para ser mais específico, meu jovem – o velho se divertiu quando a criatura pulou para o ombro do rapaz, pregando-lhe um susto. – Ele obedecerá a sua imaginação, mas você precisa ter fé; pode ser muito útil em uma situação difícil. Agora tenho que ir, meu rapaz, mas antes, um conselho: assim como com grandes poderes vem grandes responsabilidades, com grandes responsabilidades também vem grandes poderes! – O ancião gargalhou, desaparecendo perante o guerreiro.

De volta ao castelo, o rei, que continuava parado no trono, perguntou a Aaron:

– E então? Posso ver o Monaring? – Aaron não entendeu como ele sabia da criatura se nem mesmo saíra do castelo. Mas logo, obteve a resposta. – Pode ver situações futuras, não é mesmo, rei? – O jovem confirmou sua teoria com a face de aprovação do rei.

– Jovem esperto, você é – o rei finalmente levantou-se. – Quem dera se eu tivesse tamanha esperteza quando autorizei ao Ignián enfeitiçar aquelas plantas da floresta… Nunca imaginei que surgiriam tamanhos monstros! – Diante da feição de raiva que surgia na face do jovem, o rei gargalhou e disse:

– Creio que já se encontrou com elas, não é mesmo? Plantas perigosas elas são, meu jovem; vocês tiveram muita sorte de escaparem de lá vivos – Chamando alguns elfos, completou: – já está quase amanhecendo; é melhor que voltem ao acampamento, meus dois amigos. – Com um sinal, dois elfos conduziram Galatha, Aaron e o Monaring à superfície, deixando-os a beira do rio Adurn. Momentos depois, Safir e os outros acordaram, surpresos com o aparecimento do Monaring e com a história que Aaron lhes contou para explicar sua origem.

 

Publicado em 22/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.