Capítulo XXII – O Exército do Rei
CAPÍTULO XXII – O EXÉRCITO DO REI
O Choro de criança chamou a atenção da pobre família que morava naquela humilde casa em Mazera; o berço, na qual o bebê estava, era revestido de ouro, reluzente com o brilho do sol, assim como também brilhava um estranho símbolo, gravado em sua pequenina face. O casal acolheu o bebê, que cessou o choro ao ser confortado no colo.
Aaron foi despertado por Safir, que trazia um escudo e uma cota de malha para o guerreiro. – Venha, vai começar – o cavaleiro o conduziu para fora da tenda. O céu havia escurecido, trazendo consigo o brilho da luz da lua e das estrelas. A batalha, que por seis meses fora aguardada, estava prestes a começar.
Uma multidão de ogros, humanos e goblins passaram rugindo pela última faixa de terra que separava os inimigos das dependências do acampamento. O número de guerreiros era praticamente igual nos dois exércitos, a grande diferença era que os guerreiros do rei estavam melhores equipados que os de Merlin.
O sinal de alerta soou quando a primeira linha de ataque do rei foi pega pela armadilha quente dos caldeirões. Urros de dor ecoaram por toda a floresta. Os guerreiros, agora petrificados, eram pisoteados pelas próximas linhas de ataque, que colidiram com os guerreiros do mago. Aaron, que havia sido aconselhado a se manter cauteloso na batalha, aguardava de fora os acontecimentos. Entretanto, uma rajada de flechas ardentes vindas do lado oposto jogou-o contra os inimigos. Brandindo sua espada ferozmente, atacou o peito desprotegido de dois Goblins que se aproximavam, com suas armas em punho.
Safir, envolvido com a batalha, demorou a perceber a presença de Aaron. Correu para perto dele, a tempo de protegê-lo de um golpe de um ogro. – Cuidado, Aaron. Os ogros são fortes e traiçoeiros; seja extremamente cauteloso com eles – disse o experiente cavaleiro, enquanto desarmava e feria um inimigo ao seu lado.
Gareth, Leonel e Ivain lutavam separados em diversas partes da batalha. Todos trajando armaduras douradas, destacavam-se na multidão. Outra rajada de flechas do inimigo fez com que se escondessem por detrás dos escudos. No entanto, as amazonas estavam prontas para contra-atacar: a nova rajada de flechas foi contra o inimigo, ferindo diversos deles.
***
A manhã chegou, banhada pela violência da batalha. Aaron agora combatia dois ogros que o atacavam pelos lados. Rapidamente, quando ambos os guerreiros estavam prestes a feri-lo com suas espadas, ele deu um salto para trás, fazendo com que eles cravassem suas espadas um no outro. Correu para ajudar duas aranhas, suas aliadas, que lutavam para se libertar de uma armadilha feita pelos Goblins. Cortou as redes que as prendiam e deixou que elas se encarregassem dos pequeninos inimigos.
Apesar de possuírem a mesma quantidade de guerreiros, o exército de Ostheros estava superando o exército de Merlin. A linha de defesa das amazonas arqueiras estava sendo atacada por um grupo de ogros, evitando que elas arremessassem flechas nos inimigos, mas o mesmo não acontecia do lado oposto. Alguns humanos, leais ao rei, arremessavam flechas e mais flechas, ferindo e matando muitas aranhas que, sem escudos para se defender, tornavam-se frágeis a esse tipo de ataque.
A floresta, devastada pela batalha, parecia querer expulsar os invasores. Os animais, assustados, escondiam-se pelos buracos que encontravam no caminho.
Merlin brandia ferozmente seu cajado contra os inimigos. Montado em um cavalo prateado, ele usava toda a sua energia e concentração contra os ogros. Encontrou Aaron enrolado com um grupo de seis Goblins, que tentavam feri-lo com grandes lanças: rapidamente, seus olhos brilharam, e uma luz azulada fez com que raízes, vindas da terra, agarrassem os seis Goblins.
– Suba Aaron, descanse um pouco. Passou a noite lutando – o mago delicadamente puxou-o para cima do cavalo. – Estamos perdendo. O rei deve ter acumulado muitos equipamentos para essa batalha; não somos páreos para eles.
– Nós vimos Titanius inteira reunida para armazenar armas e equipamentos, mago – Aaron limpou o sangue que banhara a lâmina da espada. – Talvez seja melhor nos retirarmos.
Surpreendentemente, uma rajada de fogo vinda dos céus devastou a linha de arqueiros do inimigo. Merlin, assustado, olhou para cima, preparando-se para um novo confronto; quando percebeu a origem do fogo, uma gargalhada escapou da sua boca.
– Veja Aaron! Os dragões vieram! – Mais rajadas de fogo surgiam, e gigantes criaturas pousaram, pisoteando diversos inimigos. Um dragão vermelho pousou ao lado de Merlin e Aaron. O mago, alimentado pelas novas esperanças, agradeceu ao Lorde Dragão:
– É bom vê-lo, amigo. Não esperávamos a sua presença.
– O rei invadiu nossas terras depois de você passar por lá; muitos de meus irmãos foram mortos, mas os restantes concordaram em ajudar vocês – a cauda do Lorde dragão rapidamente levantou-se e desceu, esmagando três adversários.
Em poucos minutos, a batalha mudou de lado. Com a ajuda dos dragões, a vitória estava destinada a Merlin. Entretanto, um vulto vindo do lado inimigo amedrontou mesmo a Merlin e ao Lorde Dragão: um poderoso Cavaleiro Negro, montado em um grande e robusto cavalo, começou a devastar toda e qualquer criatura que se opunha a ele.
Publicado em 26/01/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como a lenda de avalon, arthur lucena, livros. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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