Capítulo XXIX – O Novo Rei
CAPÍTULO XXIX – O NOVO REI
Sim, o fim é apenas o começo de uma nova história! – exclamou Aaron, com as vestes toda manchada e embarreada, extasiado. Agora, ali estava ele, sendo homenageado pelo povo, contando sobre como ele e o exército haviam, heroicamente, vencido a guerra. Arthur encontrava-se ao seu lado, incentivando-o no discurso; o povo ouvia silenciosamente toda a narração.
Quando Aaron terminou, todos se mantiveram quietos por mais alguns instantes; subitamente, uma única palavra foi ouvida entre a multidão: – Rei! – disse um homem. Em seguida, várias pessoas começaram a segui-lo; diziam repetidamente, enquanto Aaron olhava para Arthur, confuso, sem entender o que acontecia:
– Acho que eles clamam por você – disse o jovem para Arthur.
Arthur colocou a mão sobre o ombro do rapaz. – Não, meu jovem, eles clamam por você – disse ele. – O meu reinado já se extinguiu há dois séculos; agora é tempo de outro assumir o poder; e pelo que vejo, esse alguém é você.
Momentos depois, Merlin trazia do salão real uma coroa, a qual colocou sobre Aaron, diante dos aplausos do povoado.
– Parabéns, garoto! – disse o feiticeiro, enquanto colocava o símbolo da realeza.
***
Os dois dias que se seguiram foram marcados pela alegria de Aaron. Depois de quase sete meses se aventurando, ele finalmente terminara sua missão, com uma recompensa incomparável. – O que Safir dirá quando souber disso? – pensou ele, enquanto vestia-se para sua formal cerimônia de coroação que aconteceria logo à noite. Os empregados do castelo lhes forneceram roupas finas e delicadas, de qualidade que Aaron jamais provara antes; para o banquete da cerimônia de coroação, Merlin encarregou-se dos preparativos: toda a corte seria convidada, além de Lagorn e Hefnna.
A coroação foi como Aaron esperava: estavam todos, guerreiros, soberanos e lordes do reino, reunidos no grandioso salão real, quando um dos guardas reais soou a trombeta. Aaron entrou, acompanhado por Galatha, desfilando por um longo corredor. Ao final da trajetória, encontravam-se Arthur e Merlin, vestidos com luxuosas roupas, aguardando para colocar-lhe o manto real.
– Que você represente para o reino tudo o que este povo merece – disse Arthur, enquanto colocava-lhe o manto. – Agradeço-lhe novamente por sua coragem, e devo despedir-me para sempre.
Aaron estranhou: – Despedir? Para onde vai? – perguntou ele.
– É hora de eu viver o final de vida que eu nunca tive – disse o antigo rei. – Quero passar os próximos anos vivendo junto ao povo que eu tanto amei.
O banquete teve início logo após a coroação. A mesa estava farta, todos se deliciaram com o jantar. Em certo momento, Merlin chamou Aaron, que conversava com dois cavaleiros de Titanius, para avisar-lhe sobre alguns assuntos.
– Aaron, devo lembrar que este é também o último dia de Leonel, Ivain, Gareth e Safir conosco – disse o feiticeiro com seriedade. – Despeça-se deles logo.
– Eles precisam mesmo ir? – perguntou Aaron, entristecido. – Não podem ficar?
– Sinto muito, mas a nossa missão já acabou – respondeu o feiticeiro. – É hora de eles voltarem para o lugar de onde pertencem. Isso me lembra de uma coisa… Aaron, tem alguém que quer vê-lo por alguns momentos…
Dito isso, o feiticeiro levou Aaron até a enfermaria do castelo. Safir estava lá.
– Safir! É bom vê-lo, meu amigo! – exclamou Aaron, contente.
– É bom vê-lo também, garoto – disse o cavaleiro, com uma voz quase que inaudível. – Sempre soube que conseguiria. É uma pena que tenhamos que partir logo.
– Não diga isso! Vamos aproveitar esses últimos momentos então – pediu Aaron. – Espere um pouco, trarei algum quitute para nos deliciarmos e conversarmos.
Na manhã seguinte ao banquete, Aaron despediu-se dos quatro cavaleiros. A cena entristeceu a todos, mas era preciso. Por sorte, Galatha e Merlin traziam uma notícia que alegrou um pouco Aaron:
– Aaron, se você permitir, decidimos reassumir o laboratório do castelo – disse o feiticeiro. – Eu e Galatha trabalharemos juntos para o que for necessário.
– Isso é muito bom! – respondeu Aaron, contente com a novidade. – Aliás, Hefnna e Lagorn também vão se mudar para Camelot, e meu irmão diz que quer aprender tudo o que puder sobre magia e criaturas mágicas!
Todos riram. – Pode deixar que lhe ensinaremos tudo! – respondeu Galatha. – Ele será meu primeiro pupilo.
– Bom, já é hora de irmos; tenho muito a fazer para consertar o reino: Ostheros deixou tudo por aqui uma bagunça! – exclamou Aaron.
– Que governante aplicado! – disse Galatha, irônica. – Já quer mudar o reino todo em tão pouco tempo!
– Estou apenas começando! – disse o jovem erguendo Excalibur, que guardava sempre presa à cintura.
- FIM -
Publicado em 02/02/2011, em A Lenda de Avalon - A Espada do Rei, Livros & Literatura, Meus próprios livros e marcado como a lenda de avalon, arthur lucena, livros. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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